Desenhos feitos por mim entre os quatro e os nove anos de idade.




Desenhos que eu fiz entre os 10 e 12 anos de idade...




Quadrinhos feitos entre os 14 e os 16. A puberdade melhorou o meu traço, mas destruiu o meu cérebro.


E com o passar dos anos, a coisa só piorava...



Foi assim até eu conseguir trabalhar com os meus desenhos, na primeira metade dessa década. Hoje eu trabalho com o que eu sei fazer melhor, e isso é ótimo, mas eu sinto que já fui mais feliz desenhando.
Na infância e adolescência, essa era a minha brincadeira favorita. Eu expandia a minha mente criando o universo que eu quisesse. Minha família, amigos e colegas se divertiam junto comigo, se horrorizavam e se reconheciam nas minhas histórias, na sua grande maioria feitas pra eles.
Não acho que eu seja um bom quadrinhista, nem me atrevo a dar conselhos pra ninguém a respeito de nada. eu não sou exemplo pra ninguém.
Sei lá, eu só gosto demais dessa droga, e a coisa mais importante que eu aprendi desenhando as minhas hqs ridículas, foi a importância de não trabalhar apenas pra si próprio, pro meu ego. Sempre que eu faço isso eu sento na graxa.
Eu adoro super-heróis, animes e tokusatsus, mas ninguém quer me ver desenhando isso, certo? Acredito que as pessoas que se dispõe a prestar atenção nas imundices que eu desenho sempre quiseram saber o que eu tenho pra dizer, mostrar, expressar... mesmo as que não fazem parte do meu dia a dia.
Lembro que fiz várias hq's baseadas nos meus heróis favoritos. Adorei desenha-las, mas quando mostrava pro pessoal: "Ah, massa! Mas cadê aquela do Mister Escroto?"

Acredito que isso valha pra outras áreas além dos quadrinhos.
Acho que temos que ser mais autênticos no que nós fazemos.
Um bom exemplo é a
Samanta Floor, que desenha e publica os seus próprios
quadrinhos. Tenho amigos com tanto talento quanto o dela que tem suas hq's taxadas de fanzines(até por eles mesmos!...). A diferença é tão somente os temas abordados. Assim como ela, o
Gafanha e a
Camila vêm mostrando esse feeling nos quadrinhos "caseiros", esse lance de por o coração na ponta da caneta, fazendo do quadrinho realmente uma forma de expressão, assim como a música, se comunicando, atingindo as pessoas através de um determinado sentimento. Essa, na minha opinião, deveria ser a busca de quem desenha tiras, quadrinhos, mangás, enfim... É o que eu quero e sempre quis fazer.
Eu já falei muita merda, mas o que eu quero dizer é que eu tô desenhando muito menos do que eu gostaria e estou com saudades de desenhar muito, do jeito que eu gosto de desenhar.
Tô com uma crise de abstinência que o Ataíde não consegue curar. Só mesmo desenhando muitas páginas de quadrinhos. Tô trabalhando agora num zine em parceria com o meu brother Skamoso. Trata-se de um pseudo-mangá de samurais chamado Ohayo! que eu já tinha mencionado antes...

Ops! Porra, Josemi! Tu tá te contradizendo seu cuzeiro!...
De maneira nenhuma. Eu apenas frisei minhas constatações, baseadas na minha própria experiência. Tem 80% de chances de eu sentar na graxa com o Ohayo! também, mesmo que eu faça uma abordagem diferente. Mas que se dane. O que importa é que eu tenho conciência disso. Não vou sair por aí dizendo coisas do tipo: "os putos, não entenderam a minha arte" ou pior "o mundo está errado e eu que tô certo". Já passei dessa fase há anos. Vou desenhar o Ohayo! pra mim sim e vou tentar fazer ele ficar divertido, mesmo limitado pelas idéias do Skamoso e pelo tema.
Bem, agora que eu já falei bastante pelo cu(como diz minha mãe =D), tá na hora de falar menos e trabalhar mais.
Não vou prometer Ataíde, porque sempre que eu prometo eu não cumpro. Até mais!